quarta-feira, 19 de março de 2014

ENTREVISTA JOHN "PABLO" THOMPSON




O lateral-direito John foi o primeiro atleta do Real Gothic que entrou em contato conosco, nos incentivando a jogar e criar nosso próprio time. Ele sempre acompanha e divulga nossos jogos entre os ingleses. Nesse bate papo, conversamos sobre futebol e também trocamos experiencias sobre a atual cena gótica inglesa e a brasileira. Confira:


John "Pablo" Thompson

1 – Como o Real Gothic começou? Conte um pouco sobre a história do time.
Nós começamos há mais de 10 anos em um festival gótico no nordeste da Inglaterra chamado Whitby Goth Weekend. Inicialmente, a ideia foi do Michael Uwins, cantor de uma banda chamada Manuskript, que queria bater uma bolinha com caras de outras bandas. Ele conheceu Jon Stokoe, um editor jornalístico da região que disse que conseguiria juntar um time para enfrentar os góticos. Então, assim nasceu o Real Gothic F.C!

Perdemos nosso primeiro jogo por 10 x 1, principalmente porque os jogadores não tinham chuteiras e usaram coturnos New Rock. Foi uma apresentação definitivamente engraçada. Depois disso, a gente começou a ficar mais sério porque o público começou a ir nos assistir. Até agora, nós vencemos apenas quatro partidas, mas o apoio que conseguimos mesmo quando perdemos é fenomenal.

2 – Existiu algum time gótico ou tentativa de começar um time gótico antes do Real Gothic?

Eu não tenho certeza. Se existiu, provavelmente se tratava de algum pequeno grupo de caras ou em alguma liga de futebol society. Mas nós somos os primeiros que eu tenho conhecimento. Tem um time de metaleiros por aqui, precisamos jogar contra eles um dia!

3 – Qual foi a reação dos góticos ingleses ao Real Gothic?
Muito apoiadora. Na Inglaterra, não tem muitos góticos que assistem futebol, mas quando o Real Gothic joga, eles sempre vão assistir com os cachecóis, bandeiras e camisas. É legal demais.

4 – É possível dizer que o time já é amplamente conhecido na Inglaterra e em outros países?
Eu acho que sim. Nós ainda estamos chocados por termos tantos fãs. Recentemente nós enviamos camisas e cachecóis para vários lugares do mundo todo. É sensacional que as pessoas pensem que esse time que joga duas vezes por ano seja digno de apoio.

5 – Quando vocês jogam?
Em abril e novembro. Nós preferimos os jogos de abril. O clima é muito melhor.

Real Gothic UK

6 – Vocês pretendem jogar com mais frequência e contra outros times?
Nós adoraríamos, mas infelizmente muito dos jogadores vivem espalhados pela Inglaterra e pela Escócia. Muitos moram em Yorkshire, então talvez seja possível fazer mais jogos algum dia. Frequentemente eu tento levar todo mundo para outro festival gótico na Europa e jogar contra outro time.

7 – Quantos jogadores há no time? É difícil convencer outros góticos a jogar?
Nós temos muitos jogadores no momento. Eu sou abordado por muita gente no Whitby Goth Weekend perguntando se podem jogar. No próximo jogo, em abril, teremos dois membros do Spear of Destiny (banda de Post Punk 80’s), que nos procuraram pra jogar. Na verdade, o mais difícil é achar jogadores mais jovens. Nesse processo de renovação, posso ter que procurar garotos emos algum dia...

8 – Se você pudesse contratar algum dos seus cantores favoritos pra jogar, quem seria?
Eu ouvi dizer que o Captain Sensible do Damned ainda gosta de jogar. Alias, ele quase jogou conosco alguns anos atrás, mas ele tinha um show no dia seguinte e não conseguiu jogar.
As Sisters of Real (o time de garotas que joga nos intervalos de nossos jogos) recentemente tiveram a presença da Anne Marie-Hurst (Skeletal Family / Ghost Dance) jogando pelo time delas. Elas adoraram.

Anne Marie Hurst (Skeletal Family)

9 – Qual foi a reação do Real Gothic quando o Real Gothic Brasil foi fundado? Vocês esperam que mais "filiais" apareçam ao redor do mundo?
Todos nós ficamos extremamente orgulhosos. Eu me lembro de contar para o Michael Uwins e ele ficou “brisando”. Nós somos fãs de famosos times brasileiros, desde os campeões de 1970 e 1982, até mesmo da camisa do Vasco da Gama que o nosso zagueiro Terry Cummins veste. A ideia de ter uma "filial" aí foi sensacional. Especialmente vendo como o Real Gothic Brasil tem feito um trabalho tão espetacular. Eu gostaria de ver mais times do Real Gothic. Tenho certeza que nossos amigos da Alemanha definitivamente terão um também.

10 – Mason Von jogou pelo Real Gothic Brasil em 2013. Você acha que é possível que os dois times façam esse tipo de intercâmbio com mais frequência?
Eu espero que sim. Nós adoraríamos que um dos caras ou meninas do Real Gothic Brasil viessem pra cá jogar. O Mason amou a viagem dele para São Paulo e, em nosso ultimo jogo, nos mostrou todas as fotos. Eu, particularmente, adoraria ir jogar com vocês. Mesmo que hoje em dia eu costume mais treinar do que jogar. Se a gente arrumasse grana para os vôos, eu adoraria organizar isso. Nós poderíamos jogar juntos e ser o Real Gothic United!

11 – Aqui no Brasil a gente procura jogar contra outros times alternativos, como times compostos por punks ou metaleiros. Existem times de outras subculturas na Inglaterra?
Eu sei de um time de metaleiros, mas além desse, não. Nós temos uma história rica no punk, então eu posso dizer que com certeza deve ter um time punk em algum lugar por aqui.

Bat Torcida

12 – Mudando de assunto, fale um pouco sobre a cena gótica inglesa atualmente. O que tem sido feito, quais são as melhores festas para ir, o que os góticos ingleses estão ouvindo ultimamente?
A cena gótica inglesa ainda está bem viva e produtiva. Muitos góticos em atividade hoje são os mesmos caras que estavam presentes durante os primeiros dias da cultura gótica. Não é um gênero muito apreciado pelos jovens aqui. Nós ainda organizamos grandes eventos como The Wendy House em Leeds ou o Slimelight em Londres. Além do Whitby Goth Weekend, há também outras festas e festivais pelo país. Muitos dos nossos góticos ainda ouvem e apreciam as bandas mais velhas tipo The Mission, Sisters of Mercy e Fields of the Nephilim. Já sobre as bandas novas, tem um monte de ótimas bandas novas por aí, tipo a Pretentious Moi, The Last Cry, O Children, Rhombus e Berlin Black.

13 – No Brasil, muitos góticos reclamam que tem acontecido uma certa descaracterização do estilo com o excessivo numero de bandas de música eletrônica na cena gótica. Isso também acontece por aí?
Aconteceu por um tempo.
Ainda há muitos elementos eletrônicos na música gótica que eu escuto. Todos os gêneros musicais têm estágios onde certos aspectos mudam ou se envolvem. Eu acho que bandas como Combichrist e Da Octopusss ainda são muito populares entre os góticos por herdarem um certo “espírito” do gótico. Musicalmente, gótico é um estilo difícil de definir. Alguns tipos de música que ouvimos são: “Post Punk”, “Coldwave”, “Ebm/Industrial”, “Gothabilly” e “Steampunk”. É por isso que é um gênero tão variado e interessante. Quando meus amigos que não são góticos me perguntam “o que é gótico?”, eu não consigo responder. Mas eles acham que é Slipknot e Marilyn Manson!

14 – No Brasil, ainda há muitos casos de brigas e intolerância e existe uma rivalidade entre diferentes subculturas, as vezes causando a morte de alguém. Conte-nos sobre alguma experiência que você teve sobre esse assunto.
Eu acho que na Inglaterra não tem muita rivalidade entre os gêneros. Entretanto, existe uma atitude “Nós x Eles” em todos os caminhos da vida.
O incidente mais famoso de uma gótica morrendo por amor a cena foi da Sophie Lancaster (RIP). Ela foi brutalmente espancada até a morte por criminosos por causa do seu visual. A morte dela causou ira na comunidade gótica. A família dela criou um grupo de caridade chamado S.O.P.H.I.E. (Stamp Out Predudice Hatred and Intolerance Everywhere) [Dê um fim no preconceito, ódio e intolerância em todos os lugares], 
onde amigos e a família dela viajam para escolas e eventos educando pessoas a não julgar alguém por causa da aparência, raça, religião ou cultura. Eles fazem um ótimo trabalho e nós estamos muito orgulhosos disso.

15 – O Real Gothic Brasil ainda não ganhou nenhuma partida. Por favor, nos dê algumas dicas para que possamos ganhar algum jogo! Hahaha
haha... Nas vezes em que ganhamos nós usamos o contra-ataque. Alguns dos nossos jogadores correm muito rapido então a gente tenta ficar na defensiva para contra-atacar. Funcionou para o Borussia Dortmund e para o Liverpool recentemente, a gente só tem que aprender como defender agora!



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